Você confiaria em um carro autônomo?

Imagine: Você entra em um carro que não possui volante de direção, pedais para breque ou aceleração. Sob um comando de voz, você diz um endereço. “A rota mais rápida demora por volta de 15 minutos. Devo segui-la?”

Você responde “sim” e logo está a caminho. O veículo reage e começa a se deslocar por si. Só lhe resta relaxar, seja assistindo o noticiário em uma tela a sua frente ou navegando na internet.

Você logo percebe que o painel tem apenas dois botões: o de “start”e um grande botão vermelho para parada de emergência. O carro é elétrico e a viagem é silenciosa e fluida. Ótima para um breve cochilo – se você confiar a sua vida na tal máquina, é claro.

O quão estranho seria se, em um dia no future, todos tivessem carros autônomos? Sem direção perigosa, insultos ou “fechadas”; leis de tráfego seriam respeitadas e, se os estudos em segurança sejam efetivos como se espera, muito mais segurança no trânsito. Por outro lado, é possível imaginar o impacto na receita por multas e fiscalização nas cidades sem tantos infratores. Mais seguro por um lado, menos liberdade para os humanos por outro.

Em uma segunda-feira, o governador da California, Jerry Brown, assinou uma lei que autoriza testes de carros autônomos – mesmo sem a presença de um passageiro. A lei deixa claro que o teste é restrito a ruas privadas com velocidades abaixo de 35 milhas por hora. No entanto, abre o caminho para uma nova era de carros automatizados, onde humanos tem cada vez menos a fazer. Os engenheiros da Google devem estar celebrando.

Este é um exemplo do quanto a nova tecnologia tem potencial para alterar a sociedade moderna de uma maneira radical. Não há dúvida que os carros autônomos podem ser um grande avanço. O potencial dos carros mais seguros significam que as estatísticas de acidente melhorariam drasticamente: 94% dos acidentes viários nos Estados Unidos tem a ver com erro humano. Motoristas veteranos ou deficientes visuais ou físicos teriam um novo level de liberdade.  Mantendo a velocidade em níveis seguros e sendo elétrico, os carros autonomos reduziriam os níveis de poluição e a dependência em combustiveis não-renováveis. Tal mudança poderia guiar a tecnologia em outros rumos e criar outros tipos de experts, por exemplo. As ruas, mais silenciosas e as pessoas, mais seguras. Até aí, tudo positive.

Mas também devemos considerar o impacto da nova tecnologia naqueles que dependem da direção como sustento. Segundo o departamento de empregos dos Estados Unidos, em maio de 2015 cerca de 505.000 pessoas estavam empregadas como motoristas de ônibus escolares, sob um salário de 14.7 dólares/hora. A American Trucking Association lista cerca de 3.5 milhões de motoristas profissionais de caminhões nos Estados Unidos. Adicionando-se os empregados pela indústria, incluindo empregos próximos (em que não se dirige), o total constitui 8.7 milhões de trabalhadores – aproximadamente 1 em cada 15 trabalhadores do país. Enquanto isso, Nevada autorizou o primeiro caminhão autônomo, um incrível Daimler com 18 rodas que mais lembra um Transformers. O futuro chegou.

As companhias que desenvolvem veículos autônomos deveriam criar parcerias com os estados e a escala federal para treinamentos de empregos, criando oportunidades para essa massa de trabalhadores, os quais fariam-se obsoletos e desempregados pelas novas tecnologias – situação que gera muito do atual descontentamento nos Estados Unidos.

Novos tecnologias serão – e devem – ser desenvolvidas. É assim que a sociedade avança. No entanto, o progresso não pode ser unilateral. As corporações e o Estado devem considerar as consequências éticas das mudanças em potencial, para constituir um futuro mais justo e igual. Não queremos que a utopia torne-se distopia.

Marcelo Gleiser is a theoretical physicist and writer — and a professor of natural philosophy, physics and astronomy at Dartmouth College. He is the director of the Institute for Cross-Disciplinary Engagement at Dartmouth, co-founder of 13.7 and an active promoter of science to the general public. His latest book is The Simple Beauty of the Unexpected: A Natural Philosopher’s Quest for Trout and the Meaning of Everything. You can keep up with Marcelo on Facebook and Twitter: @mgleiser

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